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segunda-feira, 16 de abril de 2007

1984


Esse texto foi feito e é também um resumo da obra de arte que é “1984”, produzido a partir de uma reflexão, uma comparação dentro do conceito de como a propaganda pode ser e é utilizada tanto na vida real como na ficção, se bem que a ficção aqui contida é para nós hoje em dia o que há de mais atual... Ela é pode ser vista por aqueles que estão dentro como algo real e natural [o que realmente está sendo], mas de um outro ângulo, o que há muitos anos atrás serviu de “inspiração” para o autor do livro “1984” George Orwell, esse tipo de manipulação, é nada além da pura realidade para a qual fechamos os olhos.

Eis onde surge o questionamento: o que é certo, o que é verdade, o que é manipulação, o que é ou o que foi feito para nosso bem?

Aspirando ao domínio total da população em regimes pautados por teorias conspiratórias e constantes apelos ao medo de ameaças externas e/ou internas, a propaganda nos regimes totalitários foi essencial para a conquista das massas. Seu objetivo final, em muitos casos quase que completamente alcançados, como nos regimes nazista da Alemanha e soviético da Rússia, era o controle total de corações e mentes de seus cidadãos compelidos a um tipo de pensamento uniforme e uma confiança cega em seus lideres. A oposição à linha dos que conduziam o Estado era desencorajada pela onipresente propaganda estatal ufanista e, geralmente, nacionalista, bem como aos sempre bem equipados organismos de repressão, semeando o terror através da ameaça constante de prisão, repressão violenta, banimento e eliminação física dos oponentes do regime. Estimulava-se a população a acreditar que os dissidentes eram não somente inimigos do regime, mas “inimigos do povo”.

Desta forma, o uso da violência é tido como parte da propaganda. E a primeira só vai substituir a segunda na medida em que a dominação vá se efetuando completamente, ou seja, à medida que a consciência coletiva seja domesticada a pensar de forma uniforme e, num ultimo instante, suprimida qualquer possibilidade de pensamento discordante. No intuito de alcançar esse nível de controle, foi estimulado na URSS e na Alemanha nazista o culto à personalidade dos lideres, tidos como infalíveis. Sua imagem era onipresente, estava espalhada por todos os cantos do país, e a eles eram atribuídos títulos como “guia genial dos povos” ou “farol do mundo”. Aos dissidentes, era reservado o Horror da repressão total e implacável, perfeitamente personificados na policia secreta e nos campos de concentração, presentes nos dois regimes citados.

Em 1984, George Orwell descreve situações vividas em um regime totalitário, em grande parte inspirado na URSS stalinista da época em que o livro, no qual o filme se baseou, foi escrito. No filme três grandes potências intercontinentais, a Oceania, a Eurásia e a Lestásia, mantinham-se em guerra constante e sem fim. Indivíduos (como era o caso de Winston Smith) não passavam de pobres peões manipulados por uma azeitada máquina estatal, controlada pelo partido Ingsoc e personificada no Big Brother, o Grande Irmão, que articulava sofisticadas técnicas de propaganda com uma eficiente política de dominação de consciências, hábil em detectar e suprimir com rigor qualquer possibilidade de dissidência. O ápice dessa política era o desenvolvimento de uma nova língua, destinada a disciplinar as pessoas para que raciocinassem cada vez menos e agisse de forma cada dia mais automatizada e uniformizada. Além dos intermináveis slogans alardeados pelos alto-falantes, os cidadãos de Oceania, (o complexo político-militar que unia os poderes ocidentais), não conseguiam esquivar-se da onipresente imagem da televisão que lhes cobrava irrestrita fidelidade ao regime. Enquanto a rádio oficial continuava a bradar os notáveis recordes de produção de ferro, aço e trigo, de fato, a pobreza circundava a todos. Era, por assim dizer, a miséria emoldurada pelo gás néon.

Os funcionários do Partido e demais cidadãos de Oceania (excluídos os proletários, que eram desprezados por serem inofensivos mergulhados que estavam em sua ignorância e alienação de meros trabalhadores braçais) eram constantemente convocados para participar das assembléias populares nas quais porções orquestradas de ódio eram ministradas pelos dirigentes e representantes diretos do carismático “Grande Irmão”, mobilizados contra Emanuel Goldstein, o seu maior inimigo ideológico. O rosto do chefe todo-poderoso, como se fora a ampliação de um totem tribal, encontrava-se por todos os lados: em cartazes, em pôsteres, ou nas telas do cinema ou da televisão. Como dizia o slogan: "O Grande Irmão te vigia". Winston, que se sentiu tentado em escapar daquela opressão, terminou sendo capturado e torturado no Quarto 101, (número do quarto do Neo e do Andar do Merovigian) equipado para aplicar os tormentos. Devidamente reciclado pelos guardiões da ordem totalitária, encerrou o seu tempo de vida mentalmente anestesiado. Mas mais do que isso: sentado numa mesa de bar, ouvindo pela tela mais uma noticia de quebra de recorde de produção, ele murmura emocionado um testemunho de amor ao Grande irmão. Corações e mentes conquistados, ao final.

Somos todos nós um ‘Winston Smith’ mentalmente anestesiado ou ainda temos uma chance de encontrar o ponto cego das nossas vidas?