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domingo, 8 de abril de 2007

Dos quadrinhos para a telona


Definir até que ponto pode ou deve uma adaptação cinematográfica de quadrinhos ser fiel à sua fonte é relativo quanto ao ponto de vista de interpretação de quem assim o faz, seja cineasta/autor ou leitor/espectador. Existe uma tênue, porém, significativa linha de raciocínio. O que podemos fazer é analisar os interesses dele (autor e ou cineasta) pela obra, e é partindo desta que podemos compreender se está claro e quais interesses definidos e defendidos.

Em sua maioria vemos que as transposições são tentativas e são na verdade bem sucedidas de produzir, melhor, reproduzir uma realidade que para poucos só está na imaginação daqueles que acreditam evidentemente no mundo dos quadrinhos, tentativas por quê? Justamente por causas dessas tais interpretações, a forma, a maneira, a lingüística como nos referimos às coisas de um modo geral, denuncia nossa visão de cultura e conhecimento, e é claro que essa realidade pode mudar assustadoramente quando as fazemos.

Verdade é que o mundo dos quadrinhos e o mundo real em sua essência não diferem em quase nada, pelo contrário reproduz e de maneira fiel toda realidade de nós seres reais. Cabe ao artista/criador definir qual a mais adequada para o trabalho. Preferências entre uma ou outra podem resvalar também para o campo da preferência pessoal de cada individuo

Acredito que não há limite para o até quando uma obra cinematográfica deve ou pode ser fiel aos quadrinhos e/ou romance, ou o que for a não ser os limites acertados entre as partes interessadas. Exemplo: Alan Moore embirrou com V de Vingança mesmo o filme sendo super fiel aos quadrinhos, ao contrario de outra obra dele, a Liga Extraordinária, que foi quase que completamente descaracterizada. No segundo exemplo o próprio tem razão, no primeiro, não, mas ele pode reclamar, porque ele é o autor da obra original - só que ele entra em contradição, porque foi ele mesmo quem vendeu sua obra para a adaptação. Se ele queria ter poder de veto a tal ponto, deveria ter especificado em contrato - mas aí tenho duvida de os direitos autorais são deles ou da DC Comics. Em quadrinhos tem essa questão, como nos filmes, onde poucos diretores, como George Lucas e Spielberg, são donos de sua obra.

Vale ainda o comentário de Bruno Martins Ondel em sua analise no texto Sin City – A Cidade do Pecado: “Sin City poderia ser colocado num meio termo. O filme não se pretende realista, mas as cenas de violência são tão viscerais que chegam a causar repulsa em quem assiste. Mas, deve-se lembrar que o fato de ele chocar ou não depende muito mais de quem está sentado na poltrona do que de quem senta na cadeira do diretor”.

Já outro exemplo diametralmente oposto é o de Jorge Amado, que fazia questão de dizer que depois que autorizava a adaptação não queria mais nem ver os resultados, não considerava a obra adaptada como sua, mas baseado em sua obra.

Quanto se isso é bom ou ruim, acho que é relativo. Pois há pessoas que esperam ver os quadrinhos favoritos transpostos quadro a quadro, outros são mais desencanados e podem até curtir as novidades advindas com a adaptação. Um exemplo é a cena da população com mascaras de V, não consta dos quadrinhos, ou cenas e personagens inteiros de O GUIA DO MOCHILEIRO DAS GALAXIAS, que não constavam do livro - embora tenham sido criadas para o filme pelo próprio autor do livro. Todos os exemplos citados são adaptações bastante fiéis aos quadrinhos, inclusive os acréscimos na trama são fiéis ao espírito da obra original, mas exemplos de desastres não faltam também, como a já citada Liga Extraordinária, JUIZ DREDD, TANK GIRL, OS DOIS ULTIMOS BATMAN DA SERIA DOS ANOS 90 e muitos outros.

Ou seja, nessa discussão se foi bem adaptado, se foi fiel ao quadrinho ou não, deve-se primeiro ter bom senso ao fazer qualquer analise dessas transposições, pois é dever levar em consideração que são mídias (Cinema e Quadrinhos) completamente diferentes, tendo seu direcionamento, utilização e aplicação absolutamente divergentes, não sendo fácil assim reproduzi-las com a mesma quantidade de detalhes.