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domingo, 20 de maio de 2007

ARTHUR BISPO DO ROSÁRIO













[fotos: estandarte por de bispo do rosario, auto retrato, foto de arthur do rosário]

Andanças pela net... e achei essa matéria muito boa é uma montagem e pesquisa de Neide, o título da matéria é: Nise da Silveira e a Luta Antimanicomial.

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Como é de costume, a sociedade faz pouco caso das pessoas que, por doença, opção ou um motivo qualquer, não se enquadram em determinados padrões considerados “normais”. Esse era o caso de Arthur Bispo do Rosário, hoje considerado um gênio das artes plásticas brasileiras, com trabalhos expostos em muitas salas fora do Brasil. Essa consagração se tornou concreta apenas no final de sua vida. Por muitos anos, ele esteve internado na Colônia Juliano Moreira, o maior e mais antigo manicômio do Rio de Janeiro, sob a acusação de ser um doente mental. Quem poderia imaginar que daquele estranho mundo pudesse sair um gênio da arte?

“A arte brasileira é surpreendente. De onde menos se imagina, aparecem esses belos trabalhos. Ninguém imaginaria que de uma clinica de alienados poderiam sair trabalhos para serem expostos na Alemanha, na Holanda ou na França. A Europa toda gosta dele”, observa o jornalista e pesquisador Luís Antônio Barreto, ao ser perguntado sobre a maior herança deixada por esse fantástico personagem urbano, nascido na cidade sergipana de Japaratuba.

Essa origem, que o próprio Bispo procurava esquecer, é intensamente lembrada por Luís Antônio, que chegou a ter contato com as obras que se tornariam famosas futuramente, em uma de suas primeiras viagens à capital fluminense, onde morou e trabalhou por quatro anos. “Não me recordo bem a época, mas cheguei a ter contato com algumas obras dele. Mas naquele tempo, não as associava a uma linguagem artística. Nem sabia que ele era sergipano”, conta ele, que só conseguia vê-lo como um dos muitos personagens urbanos que se destacaram no Rio de Janeiro, como o Profeta Gentileza e o Madame Satã.

Bispo do Rosário era um desses tipos. Ele veio de uma das muitas famílias pobres do Vale do Cotinguiba, que naquela época, passava por um período de estagnação econômica. A alternativa encontrada pelos jovens dessas famílias era a carreira militar. “Era comum que eles procurassem a Escola de Aprendizes Marinheiros, pois sabiam que, uma vez entrando na Marinha, garantiriam ter casa e comida, mesmo que não ganhassem um bom salário”, explica Luiz Antônio. Esse período difícil fez com que Arthur deixasse Japaratuba aos 15 anos de idade. Passou por Aracaju antes de se instalar definitivamente no Rio, em 1925. Deixou a Marinha oito anos depois. A partir daí, ele foi trabalhar como empregado de uma influente família carioca, que continuou garantindo-lhe a casa e a comida em troca de serviços.

Tudo transcorria dessa forma até a véspera do Natal de 1938, quando Bispo presenciou a chegada de um luminoso cortejo de anjos e soldados celestes. Eles lhe traziam uma mensagem de Deus: “Reconstrua o universo e registre a minha passagem aqui na terra”. Sob “ordens divinas”, ele deixa a casa dos patrões e vai para uma igreja, onde se apresenta como o homem “que veio julgar os vivos e os mortos”. Ninguém acredita. O fato é que após esse episódio, o visionário começa sua peregrinação por clinicas e hospícios, até chegar à Juliano Moreira.

Os registros do manicômio afirmavam que o ex-marinheiro sofria de “esquizofrenia parenóide”. O diagnóstico frio o condenava a um polêmico tratamento muito usado na época: o eletrochoque. Mas ele conseguiu escapar da sentença e passou a impor respeito. O segredo estava no boxe, esporte que praticou desde a época da Marinha. Com a condição de “xerife”, ele fica livre para cumprir sua missão de registrar a passagem de Deus pela Terra.

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Retirado de http://www.rnufs.ufs.br/rede/radio/news0034.asp

Um Cristo envolto numa aura luminosa, protegido por sete anjos azuis. Esta foi a visão delirante com a qual se deparou Arthur Bispo do Rosário, no dia 22 de dezembro de 1938, no quintal de sua casa, no bairro carioca de Botafago. Caminhou, errante, por dois dias pelas ruas da cidade, antes de ser internado com o diagnóstico de esquizofrenia-paranóica na Colônia Juliano Moreira, onde viveu 50 anos (1939-1989). Ali produziu uma série de obras, que fazem parte do acervo do Museu de Imagens do Inconsciente e simbolizam a possibilidade do tratamento psiquiátrico humanizado e da inclusão social.